Consciência Fonológica na Construção da Escrita
Denomina-se consciência fonológica a habilidade metalingüística de tomada de
consciência das características formais da linguagem. Esta habilidade compreende dois
níveis: a consciência de que a língua falada pode ser segmentada em unidades distintas, ou seja, a frase pode ser segmentada em palavras; as palavras, em sílabas e as sílabas, em fonemas; e a consciência de que essas mesmas unidades repetem-se em diferentes
palavras faladas (Byrne & Fielding-Barnsley, 1989), tendo uma relação direta com a
oralidade (Ferreiro, 2004).
Déficit nesta habilidade pode levar a erros na escrita do tipo aglutinações de
palavras e separações inadequadas. Embora esses erros sejam comuns no processo
inicial de aquisição da escrita, como por exemplo, escrever: OGATO (aglutinação) ou
SABO NETE (separação), a persistência destes tipos de erros pode ser motivada por
uma dificuldade de consciência sintática. Esta habilidade implica numa capacidade de
análise e síntese auditiva da frase.
A consciência da sílaba consiste na capacidade de segmentar a palavras em
sílabas. Esta habilidade depende da capacidade de realizar análise e síntese vocabular. Segundo o dicionário Michaelis, a análise é a decomposição em elementos constituintes
-neste caso, a sílaba-e a síntese é a operação mental pela qual se constrói um sistema;
agrupamento de fatos particulares em um todo que os abrange e os resume -aqui, a
palavra.
O estudo da consciência fonológica possibilita evidenciar os estudos
psicogenéticos. Zorzi (2003) faz uma análise da psicogênese da escrita relacionando-a
com o desenvolvimento das habilidades de consciência fonológica. Segundo esse autor, a criança só avança para a fase silábica de escrita (de acordo com a classificação de
Emília Ferreiro), quando se torna atenta às características sonoras da palavra, especialmente quando ela chega ao nível do conhecimento da sílaba.
Assim, a consciência fonológica associada ao conhecimento das regras de
correspondência entre grafemas e fonemas permite à criança uma aquisição da escrita
com maior facilidade, uma vez que possibilita a generalização e memorização destas
relações (som-letra).
Hoje a intencionalidade psicopedagógica, foi trabalhar a sonoridade e escrita de palavras com sílabas complexas, através de jogo de dados.
Referências
FERREIRO, E. Uma reflexão sobre a língua oral e a aprendizagem da língua escrita. Revista Pedagógica Pátio: leitura e escrita em questão, 2004.
FERREIRO, E. Alfabetização e cultura escrita. Revista Escola, 2003.
ZORZI, J.L. Consciência fonológica, fases de construção da escrita e seqüência de apropriação da ortografia do Português. Cap. 08, p. 91-104. In: MARCHESAN, I.Q., ZORZI, .J.L. Anuário Cefac de Fonoaudiologia. São Paulo: Revinter, 1999/2000.
ZORZI, J. L. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.


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